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sábado, 19 de abril de 2014

O ser-humano extravasa...

(Henry David Thoreau, Walden, or Life in the Woods, 1854. Trad. livre Júnior Vidal)

O ser-humano extravasa;
Veja! Criou asas,
Ciência e artes,
Apetrechos em toda parte;
Mas o vento que sopra
É tudo que sobra.

Men say they know many things;
But lo! they have taken wings, —
The arts and sciences,
And a thousand appliances;
The wind that blows
Is all that any body knows

sábado, 10 de agosto de 2013

[Álbum + Crítica] 1

"[...] a grande virtude do filme 'La Belle Verte" é apresentar essa gnóstica desconexão não como um fenômeno de reforma puramente íntimo, místico ou abstrato. A desconexão implica numa ação sociopolítica de quebra da ordem: a negação dos papéis sociais prescritos pela sociedade ao ponto de produzir anárquica contestação da hierarquia e desobediência civil."

FERREIRA, Wilson Roberto V.. Mitologia Ufológica e Gnosticismo na ficção científica francesa "La Belle Verte". Cinema Secreto: Cinegnose, 4 de maio de 2011.

Link para o texto: http://cinegnose.blogspot.com.br/2011/05/mitologia-ufologica-e-gnosticismo-na.html

A partir de hoje irei começar uma série de fotos aliadas a algumas críticas sobre o filme. As imagens são de um álbum especial sobre La Belle Verte e faram digitalizadas pelo nosso blog. Espero que gostem!



quarta-feira, 24 de julho de 2013

Um Só - Pedro Santos

"Eu sou de um pedacinho de nada
De um pedacinho de cada
Dentro de  tudo que há
"


Um Só
(Pedro Santos)

Eu sou de uma poção que nem pó
De uma porção de um só
Sempre pra lá e pra cá

Eu sou de um pedacinho de nada
De um pedacinho de cada
Dentro de tudo que há

Aquele que na palavra entender
No nome não se prender
Pode ver bem quem eu sou

Mas quem no pé da letra cair
Do nome não vai sair
Porque no nome não estou.


O disco completo:

domingo, 14 de julho de 2013

Wallace Collection 'Fly Me To The Earth' (1969)

"We live in plastic rooms
And plastic houses
And plastic towns
And even the sky is a plastic ceiling painted blue
"



E encerramos nossa "tríade plástica" com esta canção da banda belga Wallace Collection. As outas duas "canções plásticas" foram Alles Plastik, do disco de Carlos Careqa e Fake Plastic Trees, do RadioHead. Lembrando que em La Belle Verte, comportamentos e objetos artificias ("plásticos") são a todo instante apresentados ao telespectador, daí a nossa obsessão com o tema. São a comida (a carne com hormônio), o ar (poluído e fétido), a água (que não corre mais em rios, e que tem um gosto estranho); a segurança do médico (no fundo, nunca soube fazer um parto), a amor de sua mulher ("prostituição legal"), o batom (para as pessoas serem "mais amadas").

Fly Me To The Earth
(Wallace Colection)

We live in plastic rooms
And plastic houses
And plastic towns
And even the sky is a plastic ceiling painted blue

The streets with plastic trees
Are so unreal, they bring you down
And it sounds so plastic when people say "How do you do?"

Fly me to the earth where the grass is green
And birds can be seen, that's paradise
Fly me to the earth where the flowers grow
And where the rivers flow, that's nice

We dress in plastic clothes,
We go in ... but where can we go?
Living in the sky is not living high
We leave the land behind explore the sky but wonder why

Oh some day we will turn to plastic and surely we will die

Fly me to the earth where the grass is green
And birds can be seen, that's paradise
Fly me to the earth where the flowers grow
And where the rivers flow, that's nice

Fly me to the earth where the grass is green
And birds can be seen, that's paradise
Fly me to the earth where the flowers grow
And where the rivers flow, that's nice

domingo, 7 de julho de 2013

Cream - World of Pain

"I can hear all the cries of the city,
No time for pity

For a growing tree."



World Of Pain
Cream

Outside my window is a tree.
Outside my window is a tree.
There only for me.
And it stands in the gray of the city,
No time for pity for the tree or me.

There is a world of pain
In the falling rain
Around me.

Is there a reason for today?
Is there a reason for today?
Do you remember?
I can hear all the cries of the city,
No time for pity for a growing tree.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Carlos Careqa - Cidade

"O que será desta calma cidade
se progredir nesta velocidade
há de conter toda elasticidade
ou transbordar sua capacidade...
"



Cidade
(Carlos Careqa e Milton Karan)

"O que será desta calma cidade
se progredir nesta velocidade
há de conter toda elasticidade
ou transbordar sua capacidade

Tanto se fala na universidade
quanto mais gente maior densidade
é muita gente sem necessidade
é realmente uma adversidade

Qual futuro espera tal mocidade
que anda a procura da felicidade
nalgum cantinho de privacidade
que tenha água e eletricidade

Só quero olhar para a veracidade
não há lugar para se ter falsidade
nem suportar essa atomicidade
nem respira toda inceticidade


Nem ingerir tanta publicidade
nem acalmar toda ferocidade
e todo dia cresce de intensidade
os pais se casam com duplicidade

Os filhos nascem com triplicidade
desliguei o x da multiplicidade
eu estou cheio de cumplicidade

nós estamos cheios de cumplicidade"

O disco completo você encontra aqui:

sábado, 8 de junho de 2013

Alles Plastik - Carlos Careqa

"As batatas frescas da prateleira
Os ovos frescos da granja
Os filés cheios de hormônio
Super sucessos em disco
O charme do velho Roberto Carlos
O amor do marinheiros
E o sorriso dos políticos

Tudo plástico
Tudo plástico
Plástico"



No filme, o que é retratado como plastico: O amor da mulher do médico. A segurança profissional do médico, baseada "no grito". O discurso político. A comida. O ar.

Alles Plastik
(C. Careqa, Volker Ludwig, P. Leminski, A. Távora, Madalena Petzl)

"Alles plastik

As ruas em que você anda
O lugar em que você está
A comida, o vestido, o salto do sapato
A roupa que você leva

Bananas do Panamá
Salada dos americanos
As maçãs com cascas duras
da África do sul

Tudo plástico
Tudo plástico
Plástico

Alles Plastik

As batatas frescas da prateleira
Os ovos frescos da granja
Os filés cheios de hormônio
Super sucessos em disco
O charme do velho Roberto Carlos
O amor do marinheiros
E o sorriso dos políticos

Tudo plástico
Tudo plástico
Plástico

Alles Plastik

O verão deste ano
A pinga no bar
A velha com os olhos loiros e os cabelos azuis
Eu viajar pro polo norte
no fundo profundo gelo
e raspar um pouquinho

Quero até apostar,
A merda, tudo plástico
Tudo plástico
Plástico

Democracia
A, B, C,
CIA, KGB,
PDB, PCBeB

Você não vê
Tudo plástico
De A até Z
Alles Plastic
Até você, tudo plástico
Plástico
Plástico

Alles Plastik"

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Mutantes - Panis et circensis

"As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas na sala de jantar..."



Panis et circensis
(Caetano Veloso e Gilberto Gil)

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar

Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

sábado, 25 de maio de 2013

Purificar o Subaé - Maria Bethânia

"...o horror de um progresso vazio..."



Purificar o Subaé
(Caetano Veloso)

"Purificar o Subaé
Mandar os malditos embora
Dona d'água doce quem é?
Dourada rainha senhora
Amparo do Sergimirim
Rosário dos filtros da aquária
Dos rios que deságuam em mim
Nascente primária
Os riscos que corre essa gente morena
O horror de um progresso vazio
Matando os mariscos e os peixes do rio
Enchendo o meu canto
De raiva e de pena"

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Adeus Pantanal - Itamar Assumpção

"Eu fui à Corumbá pra no Pantanal olhar
a bicharada
Eu fui pra ver, não vi, que decepção senti
Vi quase nada"




Adeus Pantanal
(Itamar Assumpção)

"Eu nasci e vivo no Brasil, então
Eu fui à Corumbá pra no Pantanal olhar a bicharada
E fui pra ver, não vi, que decepção senti
Vi quase nada

Eu não vi bem-te-vi, beija-flor nem juriti, a passarada
Eu não vi jaboti, não vi coral, sucuri
Vi quase nada

Eu não vi o quati, não vi anta nem sagüi, onça pintada
Eu não vi o saci, não vi o grilo cri-cri
Vi quase nada

Eu fui à Corumbá pra no Pantanal olhar a bicharada
Eu fui pra ver, não vi, que decepção senti
Vi quase nada

Eu não vi lambari, nem pintado nem mandi, a peixarada
Paca também não vi, pacu, índia guarani
Vi quase nada

Eu não vi jacaré, não vi cobra cascavel, não vi ninhada
Não vi pé de sapé, nem arruda nem guiné
Vi quase nada

Eu fui à Corumbá pra no Pantanal olhar...
Vi quase nada

Eu não vi sabiá, nem macaco nem preá, nem revoada
Eu não vi gurundi, nem ararara nem guaxi
Vi quase

Eu não vi o tiê, chué uiruuté, não vi pescada
Eu não via xuri, não vi o uiriri, vi quase nada"

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Fake Plastic Trees - RadioHead



Como não lembrar da cena da mulher do médico com Mila. A extraterrestre, investigando a bolsa da moça, não consegue entender porque ela precisa passar batom nos lábios, para "ser amada". Seus filhos e seu marido não passam batom, e nem por isso deixam de ser amados. É uma lógica difícil de entender pra quem vem de fora.

Fake Plastic Trees
(RadioHead)

"Her green plastic watering can
For her fake Chinese rubber plant
In the fake plastic earth
That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself

It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out

She lives with a broken man
A cracked polystyrene man
Who just crumbles and burns
He used to do surgery
For girls in the eighties
But gravity always wins

It wears him out, it wears him out
It wears him out, it wears him out

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love
But I can't help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run

It wears me out, it wears me out
It wears me out, it wears me out

If I could be who you wanted
If I could be who you wanted all the time

All the time..."


Tradução: http://letras.mus.br/radiohead/63486/traducao.html

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Um poema de Leminski

Gente que mantém
pássaros na gaiola
tem bom coração.
Os pássaros estão a salvo
de qualquer salvação.

(Paulo Leminski)



quarta-feira, 3 de abril de 2013

Fábrica - Legião Urbana

"...O céu já foi azul, mas agora é cinza
E o  que era verde aqui já não existe mais..."


Fábrica
(Renato Russo)

Nosso dia vai chegar,
Teremos nossa vez.
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz.
Não é muito o que lhe peço
Eu quero um trabalho honesto
Em vez de escravidão.

Deve haver algum lugar
Onde o mais forte
Não consegue escravizar
Quem não tem chance.

De onde vem a indiferença
Temperada a ferro e fogo?
Quem guarda os portões da fábrica?

O céu já foi azul, mas agora é cinza
E o que era verde aqui já não existe mais.
Quem me dera acreditar
Que não acontece nada 
De tanto brincar com fogo,
Que venha o fogo então.

Esse ar deixou minha vista cansada,
Nada demais.

segunda-feira, 25 de março de 2013

luxo saber...

luxo saber

além destas telhas
um céu de estrelas

(p. leminski)

Paradoxalmente, gozar da naturez tem se tornado um luxo.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Paranoid Android - RadioHead

"...Ambition makes you look pretty ugly..."


[em breve comentários]

Paranoid Android
(Colin Greenwood; Jonny Greenwood; Ed O'Brien; Phil Selway; Thom Yorke)

Please could you stop the noise, I'm trying to get some rest
From all the unborn chicken voices in my head
What's that...? (I may be paranoid, but not an android)
What's that...? (I may be paranoid, but not an android)

When I am king, you will be first against the wall
With your opinion which is of no consequence at all
What's that...? (I may be paranoid, but no android)
What's that...? (I may be paranoid, but no android)

Ambition makes you look pretty ugly
Kicking and squealing gucci little piggy
You don't remember
You don't remember
Why don't you remember my name?
Off with his head, man
Off with his head, man
Why don't you remember my name?
I guess he does....

Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high...high...
Rain down, rain down
Come on rain down on me
From a great high
From a great high... high...
Rain down, rain down
Come on rain down on me

That's it, sir
You're leaving
The crackle of pigskin
The dust and the screaming
The yuppies networking
The panic, the vomit
The panic, the vomit
God loves his children, God loves his children, yeah

quinta-feira, 7 de março de 2013

Quanto Tempo Mais - Blindagem

"...Mais uma estrada asfaltada
Sem flores não leva a nada
Pra se ouvir cantar o galo
Quanto tempo mais, cair do cavalo..."


"Quanto tempo mais?" pegunta a canção. Até quando vamos transformar florestas em deserto? Até quando vamos secar nossos corações de tudo quanto é bondade e compaixão (literalmente "sentir junto")? Será que não estamos caindo numa "armadilha do progresso", para citar um termo de Robert Wright. E a onda da petrificação planetária se aproxima. Será que vamos "cair do cavalo"? Creio que não. Até lá não existirão mais cavalos.

Quanto Tempo Mais
(Ivo Rodrigues; Paulo Leminski)

Quanto tempo mais
O povo vai ficar de boca aberta
Quanto tempo faz
Sonhando ver algemas abertas
Ver apagado o fogo do dragão
Que queima vidas com vapor de ambição
Quanto tempo mais vamos lutar
Por uma sorte maior

O cansaço arde na boca

Mais uma estrada asfaltada
Sem flores, com taxas pagas
Pra se ouvir cantar os pássaros
Quanto tempo, ei, vamos esperar

Algo que venha do chão
Ou que venha do ar
Para nos salvar, quanto tempo mais
Vou dizer
Quanto tempo mais

Quanto tempo mais
O povo vai ficar pra trás
Filho sem pai
Nessa guerra sem paz
Ver apagado o fogo do patrão
Que bebe vidas com sabor de limão
quanto tempo mais vamos lutar
Pela esculhambação

A saudade cai no coração

Mais uma estrada asfaltada
Sem flores não leva a nada
Pra se ouvir cantar o galo
Quanto tempo mais, cair do cavalo

Mesmo que seja no chão
Eu vou ter que voar
Mesmo que eu venha pro chão
Eu posso me levantar
Não vão me ganhar, quanto tempo mais
Vou dizer
Um minuto mais

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

a palmeira estremece...

a palmeira estremesse
palmas para ela
que ela merece

[p. leminski]

Como não lembrar da cena do motorista, a grande cena do motorista, um grito de realidade atirado às faces da rua (e do motorista). Max diz: "Há as árvores acima de você, com folhas que se mexem com o vento. Já olhou para as árvores? Há a sua mulher, que é bela e que perde a juventude te cozinhando creme de cogumelos, enquanto você a trai. E os seus filhos com a pele macia e bela. Já agradeceu alguma vez na vida pela pele macia dos seus filhos? E há as vacas que te fazem leite, manteiga e queijo todos os dias, já disse "obrigado" às vacas?!!!

Lembrando, segue um link para o diálogo todo, a cena e um pequeno texto sobre: http://belaverde.blogspot.com.br/search?q=motorista

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

pity, pity...

pity
       pity
               the bird
to
    the
           city

p. leminski

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Regresso à natureza, por Satish Kumar

 "...regressemos à natureza. A natureza tem a solução,
dá-nos tudo o que precisamos,
alimentos, roupas, casas, sapatos, amor, poesia, arte."
Trecho de entrevista concedida por Satish Kumar, que comenta, entre outras coisas, as crises econômicas, segundo ele apenas crises do dinheiro. 

"Esta não é uma crise econômica, é uma crise do dinheiro. E o dinheiro é apenas uma ideia, um número no computador. Os realistas criaram este problema artificial e estão preocupados com a crise, voam pelo mundo, vão a Bruxelas, reúnem-se com banqueiros. Mas a terra continua a produzir alimentos, as oliveiras a dar azeite, as vacas a dar leite e os seres humanos não perderam as suas capacidades. Eu diria, regressemos à natureza. A natureza tem a solução, dá-nos tudo o que precisamos, alimentos, roupas, casas, sapatos, amor, poesia, arte."

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Elis Regina - Os homens de preto

"...O gado, coitado, nasceu foi marcado
Aí vai condenado direto a charqueada
Mas manda a poeira no rumo de Deus
Berrando pra ele, dizendo pra Deus

'Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez'..."



Na "utopia" (prefiro pensar em "eutopia") labellevertiana conseguimos escapar da exploração animal, do especismo. Até quando vamos insistir desnecessariamente em tais práticas? Entre nossa sociedade coisas bizarras tornaram-se naturais como num passe de mágica: caça esportiva, pesca esportiva - tortura permitida a troco de um "puro" prazer, como se não houvessem outras formas de se liberar adrenalina - sem falar nas "exposições de cadáveres". Será mesmo Deus quem fez tudo isso?

Os homens de preto
(Paulo Ruschel)

Os homens de preto trazendo a boiada
Vem vindo, cantando, dando gargalhada
O bicho, coitado, não pensa, nem nada
Só vem pela estrada direito à charqueada
"Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez"

E os homens de preto trazendo a boiada
Vem vindo, cantando, dando gargalhada
"Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez"

Os homens de preto trazendo a boiada
Vem vindo cantando, dando gargalhada
E o bicho, coitado, não pensa, nem nada, só vem pela estrada
Vem berrando, vem berrando
O gado, coitado, nasceu foi marcado
E aí vai condenado na estrada berrando
a querência deixando e os homens malvados
empurrando e gritando
Toca boi, toca boi, toca boi, toca boi
Eh, toca boi, boi, boi, boi
Os homens de preto trazendo a boiada
Vem vindo cantando, dando gargalhada
Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez
O gado, coitado, nasceu foi marcado
Aí vai condenado direito a charqueada
Mas manda a poeira no rumo de Deus
Berrando pra Ele, dizendo pra Deus
"Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez"

Eh, Deus, eh Deus,  você fez, você fez
E os homens de preto empurrando a boiada
Vem vindo, cantando, dando gargalhada 
"Deus, Deus, Deus, Deus, Deus, você fez"